As pedras, os prédios e os monumentos do Cais do Valongo, na região portuária do Rio de Janeiro, são testemunhas de um dos capítulos mais cruéis da história da humanidade. Pelo local, entraram no Brasil mais de 1,5 milhão de escravos trazidos da África, despidos de seus pertences e suas raízes para trabalhar de maneira forçada no Brasil. A área na capital fluminense — que abrigava o Cemitério dos Pretos Novos, onde os escravos que não resistiam à viagem e morriam antes de serem comercializados eram enterrados — poderá se tornar, nos próximos anos, o primeiro ponto do país reconhecido como Patrimônio Cultural da Humanidade devido a sua importância para a memória da cultura afrobrasileira.

A iniciativa de inscrever o sítio para análise da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), encabeçada por entidades de promoção dos direitos e da cultura dos negros, faz parte de um movimento de resgate da história do período em que a cor da pele podia transformar homens em mercadorias. A região do Valongo esteve durante mais de um século abandonada, até que, nos últimos anos, as obras do projeto Porto Maravilha, que está reurbanizando a região portuária do Rio, esbarraram nesse sítio arqueológico de singular valor histórico. Por Max Miliano Melo

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