Conselho considera prédio fora da lista dos prédios protegidos. Falta Ghignatti homologar.

O Conselho Municipal do Patrimônio Histórico de Cachoeira do Sul (Compahc) já iniciou o processo para destombar o prédio da Aula de Meninas, onde hoje estão as empresas Casa das Pichas e Josele Noivas e Festas. O presidente do Compahc, Danilo Cunha, encaminhou um documento ao prefeito Sergio Ghignatti para que ele homologue do pedido a fim de que o prédio seja excluído do Livro Tombo, único local onde o prédio é citado como tombado.

Apesar de não ter sido considerado tombado pelos ex-presidentes do Compahc, só agora, cerca de 27 anos depois, é que o assunto volta a ser tratado para que a situação do prédio seja esclarecida. Segundo Cunha, a Procuradoria Jurídica já deu parecer favorável ao destombamento, levando em consideração que ele já estava descaracterizado em 1985 quando foi feito o processo de tombamento. A ex-presidenta do Compach e diretora do Núcleo Municipal da Cultura, Miriam Ritzel, acredita que o que aconteceu na época foi um equívoco administrativo.

Prédio histórico da Aula de Meninas antes das alterações de engenharia sofridas.

Casa hoje, com as duas lojas funcionando no espaço que já foi a Aula de Meninas.

Prefeito Ivo – A informação que Miriam tem é que, na época, quando ficou sabendo do processo de tombamento, o proprietário teria ido conversar com o então prefeito Ivo Garske e solicitado a ele que não tombasse o imóvel. No entanto, a anotação já tinha sido feita no Livro Tombo. Como na época a legislação era outra, o prefeito mandou suspender o processo. Assim, a anotação ficou só no livro e nem chegou a constar na certidão junto ao Registro de Imóveis. “É preciso um documento que diga que esta página do livro não tem valor legal”, complementa Miriam.

Atenção – A atual proprietária da casa, a empresária Teresinha Vargas, conta que na época que sua família adquiriu o imóvel em 1988, ela foi até a Prefeitura para saber se poderia fazer alterações e foi autorizada sem nenhuma ressalva. Ela confirma também que na documentação da casa nunca apareceu que ela seria tombada.

Importante – O próximo encontro dos conselheiros do Compahc será no dia 8 de novembro. Até lá, Cunha já pretende estar com a homologação do prefeito ao pedido de destombamento para apresentá-lo ao grupo.

Os prédios tombados de Cachoeira do Sul
Jardim de Infância do Colégio Rio Branco
1º prédio do HCB, onde hoje fica a Escola de Saúde do HCB
Casa de Cultura Paulo Salzano Vieira da Cunha
Câmara de Vereadores
Fachada da União de Moços Católicos
Catedral Nossa Senhora da Conceição
Prefeitura de Cachoeira do Sul
Knorr & Eissner (Unibanco)
Fachada do Coliseu
Casa da Aldeia
Estação da Ferreira
Templo Martin Lutero
Chatodô

Casa recebeu a primeira turma de meninas de Cachoeira

Não se sabe certo a data de construção da casa, mas sua importância histórica está em ter abrigado a primeira turma de meninas da cidade, chamada de Aula de Meninas. A autorização para implantar a turma é de 27 de abril de 1848, e foi concedida à professora Ana Francisca Rodrigues Pereira para que lecionasse na casa de seu sogro, Manoel José Pereira da Silva, na Rua da Igreja, hoje a Rua Moron.

Ana Francisca Rodrigues Pereira foi a primeira professora pública de Cachoeira. Ela era filha de João Batista Rodrigues e casada com Antônio Pereira da Silva, vereador da Câmara Municipal de 1853 a 1856. Ela teve apenas uma filha, chamada de Ernestina, que casou-se com o major João Propício da Fontoura, filho de Antônio Vicente da Fontoura.

Residência – Documentos da Câmara de Vereadores utilizados para pesquisa do Museu Municipal de Cachoeira do Sul mostram que em 1849 a professora residia e lecionava no sobrado, pagando 16.000 réis de aluguel ao sogro pelas instalações da aula. Consta ainda que Ana Francisca, em 1850, lecionava para 23 meninas.

Queima-roupa

Presidente Danilo Cunha, o destombamento da Aula de Meninas não abre precedente para que apareçam pedidos de destombamento de outros prédios históricos?
“É necessário que se tenha um esclarecimento da circunstância dos pedidos deste destombamento. Na época ele já não tinha as características originais e agora muito menos. Para se fazer um destombamento será preciso passar pela avaliação antes do Compahc que vai avaliar os motivos criteriosamente. Este é o caso do Coliseu. Apesar dos proprietários alegarem que não há representação arquitetônica ali, vimos uma bela fachada em art’ deco. Estas características estão lá, visíveis e na memória dos cachoeirenses”.

Agenda – Ate o final deste ano o Compahc ainda pretende concluir o tombamento do prédio do Banrisul do Centro e da Fazenda da Tafona. Por Patrícia Miranda

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